O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2016 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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30 setembro 2016

Saber simbólico

O saber simbólico tem um princípio causal simples. Os fenómenos são movidos não por causas sociais ou naturais, mas por causas sobre-humanas. A pergunta do saber simbólico não é “O que provocou este fenómeno?”, mas, antes, “Quem provocou este fenómeno?” Esse saber ora é analógico (atribuição de poderes sobre a natureza e sobre as relações sociais a seres superiores aos humanos), ora mágico (possibilidade de exercer um poder directo, benéfico ou maléfico, sobre a natureza e as relações sociais).

29 setembro 2016

Samora faria hoje 83 anos

O falecido presidente Samora Moisés Machel faria hoje 83 anos caso estivesse vivo. Recorde neste diário aqui.

Sobre a crise

A crise no mundo não é a dos alimentos em si, a dos preços em si, das coisas e das pessoas em si, da crista das revoltas em si: é a crise global e estrutural de um sistema, do modo capitalista de produção e da sua mentalidade darwinista manifestando-se em múltiplos pontos da cadeia, crise que acentua a conflitualidade de hegemonias e a consequente militarização do mundo, crise que mutila a solidariedade, crise que destrói o meio ambiente, crise que torna mais severa as desigualdades sociais, crise que aprofunda as dificuldades de sobrevivência diária de milhões de pessoas, crise, enfim, que torna as pessoas agudamente sensíveis ao autoritarismo, à falsa liberdade e à incerteza sobre o futuro.

28 setembro 2016

Nomes na toponímia da cidade de Maputo

A cidade de Maputo surpreende muita gente com os nomes das suas avenidas e ruas. As imagens em epígrafe são um testemunho.

27 setembro 2016

Inscrições até 01 de Novembro deste ano

Concurso anual da "Escolar Editora" iniciado este ano e com inscrições até 01 de Novembro. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Dos mortos sem paz e ponto de agenda [7]

Sexto número aqui.  Nos números anteriores procurei mostrar que somos um país produtor e sofredor de guerras, um país de mortos sem conta e sem paz. Falta abordar uma questão muito delicada: constam os mortos contemporâneos (de 1975/76 a esta parte) e a responsabilização social, da agenda de trabalho conducente à paz? Tanto quanto se pode ler na informação alusiva aos muitos encontros da comissão mista [já lá vão 20 rondas negociais], não há uma única referência a esses dois itens. Para a chamada guerra dos 16 anos e para os seus muitos mortos e estropiados, a amnistia decretada lavrou o esquecimento [em grego amnestía significa justamente esquecimento] de quem matou, feriu, destruiu e fez emigrar em massa [recorde o genocídio aqui]. Muito provavelmente e para o período actual, se e quando a paz política surgir nova amnistia entrará em vigor. Se isso acontecer, lá teremos uma vez mais os espíritos enlutados incomodando - segundo a crença popular - os vivos das mais variadas maneiras porque injustiçados com tanta impunidade.

26 setembro 2016

Humor

Fonte a conferir aqui.

Contas nacionais/2.º trimestre de 2016

Estude as contas nacionais do país para o segundo trimestre de 2016 através deste trabalho do Instituto Nacional de Estatística, aqui.

Risco

No "Notícias" digital de hoje: "A saúde dos consumidores dos produtos das hortas do vale do Mulaúze, na raia entre o município de Maputo e o da Matola, pode estar em perigo. As hortícolas são regadas com águas do rio Mulaúze e da vala da drenagem, cursos que transportam tudo, até dejectos humanos." Aqui.

Próximos cinco livros da colecção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora"

Portal da editora aqui. [Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato]. Abaixo, os 16 livros já editados desde 2013, disponíveis em Maputo:

No "Savana" 1185 de 23/09/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

25 setembro 2016

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel [7]

Sexto número aqui. Passo ao sexto e último ponto do sumário proposto aqui, a saber: 6.Conclusão. Procurei mostrar que o jovem da Josina Machel (que atacou ou defendeu-se) é bem mais do que ele e do que o seu acto, bem mais do que a consequência de um excesso numa luta normal entre adolescentes de uma escola, bem mais do que um exercício banal pela preeminência chefal. É, por hipótese e enquanto paradigma de um fenómeno, imperativamente, uma figura dialéctica, habitada por várias círculos sociais concêntricos, interdependentes. É, no pequeno local que é a Escola Secundária Josina Machel, a expressão de uma configuração planetária.
Vivemos, a nível mundial, um período de transição, entalados neste presente entre um passado que continua a ser o nosso guia cognitivo e um futuro que julgamos distante mas que já actua em nós.
Neste mundo anfibológico, estamos ainda reféns das categorias analíticas de ontem e por isso não vemos os indícios do futuro. Mundo que se torna mais agreste, mais rapidamente propenso à turbulência social com a velocidade das novas técnicas de comunicação. O modo capitalista de produção militariza-se mais rapidamente, mais intensamente, mais destrutivamente.
À medida que o futuro se tornar pouco a pouco visível, a militarização dos países e das mentes gerará mais intranquilidade, medo e desespero. Procurar abrigo e paz algures poderá tornar-se uma regra no planeta.
Esse é apenas um cenário. Há muitos outros a ter em conta.
Um dos grandes riscos que corremos é acharmos normal a violência, de tanto ela manifestar-se das mais variadas formas. Acresce que, no caso da Josina Machel, pode haver outros fenómenos por estudar.
Finalmente: resta saber como introduzir a razão nos instintos e evitar as múltiplas facas da vida. Talvez aqui resida, desde sempre na história da humanidade, o centro e a aposta de todos os círculos sociais concêntricos.

Interanálise

Um dos capítulos mais interessantes da vida consiste em estudar os modos pelos quais grupos sociais se interanalisam e avaliam.

24 setembro 2016

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel [6]

Quinto número aqui. Passo ao quinto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 5.Análise internacional. A extrema agressividade do jovem da Escola Secundária Josina Machel [recorde aqui] faz parte de um conjunto de círculos sociais concêntricos. Um desses círculos tem características internacionais. Por outras palavras: o jovem é, ao mesmo tempo, ele, a zona, a nação e a humanidade.
Hoje, em segundos, do celular à televisão passando pelo computador, sabemos o que se passa no mundo dos riscos crescentes de todos os tipos, da violência, da precariedade e da exclusão sociais, dos atentados a trouxe-mouxe, das guerras a esmo, das carnificinas em cafés e escolas, da morte banalizada, dos medos que se espalham como que liquidamente, dos símbolos trágicos das rixas e das batalhas.
O modesto estudante que agrediu um colega com uma faca na Josina Machel não é estrangeiro a esse mundo, ele - como qualquer um de nós, por mais paroquiais que sejamos - é-lhe parte integrante, esteja ou não consciente disso.
Esse mundo de risco variado não consiste apenas de informação, mas também de formação, de modelo, de proposta. Na verdade, mundo que ao mesmo tempo informa, forma, molda, comanda e formata.
A faca do jovem era, afinal, uma faca mundial, uma bandeira da extensa modernidade problemática que vivemos.

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1185, de 23/09/2016, disponível na íntegra aqui: