O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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24 maio 2017

Um livro e uma pergunta

Serve esta introdução para mostrar a complexidade do tema proposto neste número - Direito e Justiça: antónimos ou sinónimos?
O primeiro problema começa logo pela disjunção “ou”. Na verdade, pode acontecer, por paradoxal que isso possa parecer,estarem ambos os fenómenos regidos pela copulativa “e”, consoante épocas, períodos, países, sociedades e grupos.
O segundo problema tem a ver com a crença tradicionalizada de que Direito e Justiça são entidades exteriores aos conflitos sociais, algo colocado num pedestal de nobreza a-histórico e incólume ao efeito das lutas sociais, das lutas pela defesa de interesses, como que produto de geração espontânea.
Então, talvez seja sensato pensarmos pluralmente, pensramos em termos de Direitos e Justiças em toda a sua complexidade simultânea de pontes e contradições.
Os trabalhos de André José (jurista), Daniel dos Santos (sociólogo especializado em criminologia) e Débora Aligieri (advogada) mostram, de forma exemplar, alguns aspectos da complexidade do tema-pergunta deste número, o primeiro operando uma periodização do Direito e da Justiça em Moçambique, o segundo fazendo o ponto de situação dos conceitos com incidência no quadro africano e a terceira tratando da generalização judiciária desumanizada da Saúde no Brasil.
Confira aqui.

23 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [25]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui.  Prossigo na sétima pergunta, agora com a quarta parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Aliás, o que tem falhado na sensibilização visando estancar a onda de linchamentos?
Eu: Os autores do relatório escreveram que estamos perante a assumpção de “valores de delinquência como estratégia de sobrevivência”. E fizeram a seguinte advertência: “Detenção emocional de presumíveis linchadores pode resultar em revolta popular contra a Polícia e aumentar os índices de fúria e descambar em desordem generalizada da população contra a Polícia ou contra instituições”. [resposta a prosseguir

22 maio 2017

Fantasmas e chefes

Sobre fantasmas e chefes na Electricidade de Moçambique, confira esta notícia aqui, aqui e aqui.

Mentalidade produtora

Conforta chegar a um mercado e encontrar frango nacional à venda, em lugar de frango importado da África do Sul e do Brasil. Urge substituir a mentalidade importadora pela mentalidade produtora.

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1219 de 19/05/2017, aqui.

21 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [24]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui.  Prossigo na sétima pergunta, agora com a terceira parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato] 
Celso Ricardo: Aliás, o que tem falhado na sensibilização visando estancar a onda de linchamentos? 
Eu: Permita-me ir mais ao fundo do problema. Em Março de 2008, o comando geral da polícia decidiu investigar factores e causas dos linchamentos nas províncias de Manica e Sofala, escutando dezenas de actores, em entrevistas individuais e colectivas. A investigação, levada a cabo por uma equipa que incluía uma psicóloga e um antropólogo, revela uma polícia desejosa de ir para além da condenação e de conhecer as infra-estruturas do fenómeno. Fazendo-o, a equipa pôde inventariar vários problemas complexos, entre os quais os seguintes: criminalidade, pobreza e falta de empregos nos bairros periféricos; desconfiança generalizada nos órgãos da Justiça; adesão e participação de polícias nos linchamentos; perda do papel socializador das famílias. [resposta a prosseguir]

20 maio 2017

Confira

Confira estas páginas no academia.edu [está neste momento no top máximo com 0,5% do rank entre mais de 16 milhões de académicos filiados no portal] e no google+, respectivamente aqui e aqui.

Notas sobre linchamentos em Moçambique [23]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui.  Prossigo na sétima pergunta, agora com a segunda parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Aliás, o que tem falhado na sensibilização visando estancar a onda de linchamentos?
Eu: Peguemos apenas nos linchamentos periurbanos, nos bairros confrontados com a criminalidade, aquela pequena criminalidade que é considerada grande pelos moradores. O roubo e a violação de mulheres preocupam os moradores. O desemprego, a insegurança e a frustração provocadas pela criminalidade geram outra criminalidade, a dos linchamentos. Permita-me ir mais ao fundo do problema. [resposta a prosseguir]. 

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1219, de 19/05/2017, disponível na íntegra aqui.

19 maio 2017

Próximo lançamento em dia, hora e local a indicar

O homem nasceu livre, escreveu um dia Jean-Jacques Rousseau. Muito certamente estava e está errado. Nascer é nascer para a sujeição. O homem não nasce livre, mas pode tornar-se livre. Em seus múltiplos sentidos, a liberdade não é um dado natural, mas social. Ter consciência disso é um primeiro indicador de liberdade e, talvez, a primeira porta aberta da democracia e de sociedades que se emancipam do medo. A conquista da liberdade é, fundamentalmente, a conquista da vitória sobre o medo. Três Colegas aceitaram o desafio de responder à pergunta deste número: Sergio F. C. Graziano Sobrinho do Brasil, Bóia Efraime Júnior de Moçambique e Ricardo Henrique Arruda de Paula do Brasil. Com brilho e profundidade, os três dão-nos a conhecer as múltiplas, e quantas vezes trágicas (tenha-se em conta, por exemplo, o texto de Bóia Efraime Júnior), facetas do medo e da sua produção social. Conhecer e disseminar as facetas do medo e da sua produção social é contribuir para termos sociedades mais livres, mais emancipadas, mais sadias, mais firmes, mais descolonizadas do medo. Quanto mais conscientes estivermos de como se produz o medo mais livres poderemos ser. O presente livro é uma contribuição admirável nesse sentido. Aqui. [Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.]

Um concurso mundial

No portal da Escolar Editora aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

18 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [22]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
[na imagem: vítima de um linchamento na periferia da cidade da Beira]
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui.  Inicio a sétima pergunta, com a primeira parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Aliás, o que tem falhado na sensibilização visando estancar a onda de linchamentos?
Eu: Esta é uma pergunta cuja resposta é difícil. Não creio que haja uma falha em si, uma falha em si tecnicamente falando. O problema é que o problema é complicado e tem várias arestas, engloba vários tipos de linchamentos, com formas e causalidades diferentes, com períodos e locais diferentes. [resposta a prosseguir]. 

A única tradição tradicional

A mudança social é a única tradição tradicional. Toda a história da humanidade é a história da mudança social. A mudança social pode levar dezenas, centenas de anos a efectuar-se, mas efectua-se. E, na mudança social, tempos, ritmos e fenómenos não são necessariamente os mesmos. Até nisso a mudança social muda. Sucede que na mudança social as velocidades de mudança diferem: há quem seja a locomotiva e há quem seja a carruagem ou uma carruagem entre as carruagens. E talvez seja devido à angústia provocada pelo movimento social que o comum das pessoas cria tradições mentais para que a mudança social se sente e repouse.